Mostrando postagens com marcador Venezuela. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Venezuela. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Venezuela: A quem serve a Conferência Nacional da Paz?

Conferência Nacional pela Paz: a quem serve este diálogo?
Escrito por UST - Venezuela   

Foi realizada, em Miraflores, a Conferência Nacional pela Paz. Os principais empresários do país e suas organizações estiveram presentes: Fedecâmaras, Conindústria e Consecomércio. Também participaram vários representantes da MUD e da oposição, Wills Rangel, pela CBST, governadores e dirigentes do PSUV, a Igreja Católica e outros cultos, artistas e intelectuais, ministros e jornalistas. E o presidente Nicolás Maduro.

Os países do Mercosul, a Unasul, apoiaram o governo Maduro e o diálogo, vem como os EUA e a União Européia. Todos se referiram à necessidade de diálogo e consenso.

Crise econômica e insatisfação generalizada
A crise econômica está entrando em cheio na Venezuela. A PDVSA e o governo devem utilizar cada vez mais dólares para pagar dívidas contraídas no exterior. Uma imensa quantidade de dólares escoa para a especulação e não para a produção. Os setores populares sentem a cada dia a escassez dos produtos de primeira necessidade e os baixos salários. Há uma grande insatisfação em um setor importante da população. Não são somente os estudantes de classe média que protestam. No ano passado, uma longa luta dos professores universitários mostrou um grande descontentamento em um setor que há muito não se mobilizava. Os trabalhadores da SIDOR e os petroleiros lutaram muito. Houve lutas dispersas em outras cidades. A mobilização estudantil, dirigida por setores da direita, não fez nada além de capitalizar esse descontentamento generalizado.

Crise no governo e na MUD
Esta crise impôs um “dialogo” que o governo não queria. Hoje está aceitando negociar as exigências de empresários e oposição. Vilna Mora, governador oficialista de Táchira, manteve posições contra a repressão, mas logo baixou o tom das críticas. No Grande Pólo Patriótico, o clima também é tenso.

A MUD tampouco aparece unificada e Capriles, que num primeiro momento, se afastou dos “violentos” e aceitou o diálogo, logo não compareceu ao encontro porque “o governo deveria dar sinais, tendo de ceder diante das pressões dos estudantes, que exigem a liberação dos presos. Mas prefeitos, deputados e o governador Henry Falcón sim compareceram, junto com o MAS em Miraflores.

A crise se torna mais aguda, já que há 30 dias do início do processo de mobilização, o governo não consegue desarticular o movimento, nem com repressão. Abriu-se um impasse, e, por enquanto, o governo não consegue controlar totalmente a situação.

O que querem os empresários?
Nessa reunião, Lorenzo Mendoza, um dos principais empresários do país, exigiu a formação de uma comissão pela “verdade econômica”, que o governo aceitou e já está funcionando. Também pediu o pagamento da dívida da CADIVI com os empresários e entrega de divisas. Aumento dos preços regulados e modificação da LOTT devido ao “absentismo crescente”. Pérez Abad, boliburguês, disse que “o socialismo não pode ser construído sem a participação dos empresários privados” (sic). Todos defendem medidas para liberalizar o mercado.

Qual o objetivo do “acordo de paz”?
Que líderes da oposição apareçam em cadeia nacional, junto com chavistas e empresários, fazendo críticas e “exigindo mudanças profundas”, mostra um governo debilitado em sua relação com os trabalhadores e o povo.

As mobilizações estudantis se estenderam a outros setores, sobretudo os bairros. Nos locais de trabalho, o “ambiente” é cada vez mais tenso contra o governo. Surgem trabalhadores repudiando a violência, mas concordando que “assim não pode continuar”. Outros dizem: “Eu sou chavista, mas este governo não me representa”. O problema da escassez, as longas filas para conseguir farinha ou açúcar e a inflação podem levar a uma explosão popular que todos eles querem evitar.
Nesse marco, o diálogo tem vários objetivos: por um lado, os empresários passam à ofensiva para descarregar a crise sobre os trabalhadores. O governo, por sua vez, tenta se recuperar dessa crise tratando de obter um consenso político e social que lhe permita continuar governando sem sobressaltos, ao mesmo tempo que aceita aplicar medidas antipopulares. A MUD quer aproveitar a crise do chavismo para aparecer como uma alternativa, mesmo sabendo de suas limitações para dominar o conjunto das massas; ataca e obriga o governo a ir mais à direita (com repressão, medidas antipopulares etc.). Mas todos pretendem chegar à maior quantidade de acordos possíveis para evitar uma explosão geral, enquanto já começam a aplicar o arrocho de preços e a entrega de dólares.

Repúdio ao pacto contra os trabalhadores
A conferência de paz tem como objetivo central obter um verdadeiro “pacto” entre o governo e a patronal, para tentar passar medidas de arrocho. Por isso, não dialoga com os trabalhadores! Devemos, portanto, denunciá-lo e enfrentá-lo com a mobilização e a luta. Precisamos construir uma alternativa classista e um programa para resolver os problemas do país do ponto de vista da classe trabalhadora e setores populares, e não da burguesia e o governo.

Tradução: Cecília Toledo

Venezuela: Construir um programa e uma alternativa independente para lutar

Escrito por UST - Venezuela   


Enfrentemos o ‘‘Grande Acordo’’ entre o governo e a patronal
A Conferência de ‘paz’ não passa de um acordo entre a patronal, o governo e setores da oposição, com a benção da Igreja e do imperialismo para conseguir impor o arrocho contra ostrabalhadores. Devemos enfrentá-los com a luta e um programa independente para resolver a crise do país. Nesse sentido, a convocatória feita pelo Partido Socialismo e Liberdade para discutir um programa e um plano de luta para 21 de março é um passo muito importante nesse sentido. Fazemos nossa essa convocatória e chamamos outros setores como o FADESS, a UNETE e os lutadores populares e sindicais a participarem desse encontro.

Algumas de nossas propostas para construir um encontro da classe trabalhadora

Nós, da Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST), temos dito que os lutadores operários e os setores populares, diante da grave crise que vive o país, fruto de 15 anos de economia capitalista que favorece os grandes empresários nacionais e multinacionais, tanto as petroleiras como do setor alimentício, entre outras, devemos levantar uma alternativa de independência de classe. Um programa que responda às necessidades dos explorados e não dos exploradores. Que esse programa deve ser de ruptura real com o imperialismo para que não continuem levando nossas riquezas e nosso dinheiro.

Por isso, estamos propondo a suspensão do pagamento da dívida externa, tanto do estado como da PDVSA, investigá-la, da mesma forma que se deve investigar quem levou os mais de 20 bilhões de dólares das chamadas “empresas de fachada”, expropriando e recuperando esses fundos. Esse dinheiro deve ser utilizado na reativação das empresas básicas, com controle dos trabalhadores e não dos burocratas, a construção de escolas e hospitais, com todos os insumos necessários.

Decretar um aumento de salários de emergência para todos os trabalhadores de acordo com a cesta básica. Cobrança de impostos reais das multinacionais e grandes empresas, nacionalização de toda a indústria petroleira, pondo um fim às “empresas mistas” com as quais o imperialismo controla nosso petróleo.

Por um aumento do orçamento para a Educação, com salários dignos para docentes e pesquisadores, pela participação real do movimento estudantil no governo universitário para discutir as necessidades do país. Defesa da estabilidade no emprego e de todas as nossas conquistas frente aos ataques do governo e da patronal!

Pela reconquista e defesa dos sindicatos de base. Basta de intervenção patronal-governamental em nossas organizações. Para enfrentar os acordos e pactos entre os patrões, a oposição e o governo, preparemos um plano de luta. Frente aos assassinatos e a repressão às mobilizações exigimos a formação de uma comissão especial, independente, com participação de organismos de direitos humanos, sindicatos e organizações populares para investigar esses fatos.

Além disso, nós, da UST, continuamos batalhando pela construção de uma ferramenta política para lutar por um governo dos trabalhadores.

Venezuela e a necessidade de uma saída independente

Diante dos fatos de 12 de fevereiro: os trabalhadores precisam de uma saída independente

Escrito por UST Venezuela   
[
Convocados pela Mesa da Unidade (MUD), com as bandeiras “Saída já!, a rua vence” ocorreram mobilizações em várias cidades da Venezuela, com a presença de estudantes e setores populares. 
 Os confrontos entre os manifestante e organismos de repressão, inclusive organizações para-policiais, deixaram um saldo de três mortos, 69 feridos e muitos detidos, entre eles, grande quantidade de estudantes.
Nós, socialistas da UST não participamos dessas convocatórias e fizemos um chamado para as pessoas não irem às manifestações desses partidos da burguesia porque suas bandeiras e seus objetivos não são os mesmos da classe operária, mas encobrem, apoiando-se no descontentamento popular, seu próprio plano de arrocho contra o povo e a favor dos empresários e das multinacionais.
A UST repudia a violenta repressão contra os manifestantes. A classe operária e os setores populares estão sentindo na carne essa escalada repressiva que há apenas alguns dias prendeu 10 trabalhadores e dirigentes petroleiros por reclamar um contrato coletivo digno, os trabalhadores da Toyota Cumaná tiveram de suportar a pressão da Guarda Nacional Bolivariana quando realizavam uma ação dentro da fábrica, e o mesmo ocorreu com a  greve de Sidor, sendo que trabalhadores da Civetchi continuam presos em Carabobo. Estão criminalizando os protestos.
Nós, socialistas, defendemos o direito democrático dos trabalhadores, estudantes, camponeses e demais setores populares a manifestar-se e protestar; ao mesmo tempo, exigimos a imediata liberação de todos os que foram presos por protestar.
Por outro lado, exigimos a investigação dos assassinatos e de todos os atos repressivos e violentos, para que se faça justiça. Nesse sentido, propomos a formação de uma Comissão Investigadora independente, conformada pelos organismos de direitos humanos e organizações operárias e populares para garantir que as investigações feitas pelos organismos judiciais sejam imparciais, objetivas e amplamente divulgadas.
O governo de Nicolás Maduro atacou as mobilizações, acusando-as de “fascistas” e afirmando que “um golpe estaria marcha”, como ocorreu em 2002-2003. Com isso justifica a repressão. Para a UST, não há neste momento nenhuma possibilidade de golpe. As antigas intentonas golpistas da burguesia e do imperialismo foram derrotadas pelas masas com sua mobilização. Não existe nenhuma corrente militar importante a favor de desestabilizar o regime ou dar um golpe armado. As Forças Armadas Bolivarianas se integraram nos principais ministérios e governos locais, dirigem as principais empresas básicas (aço, ferro, cimento, entre outras), dirigem seu próprio canal de TV, sua própria empresa de construção civil, se declaram “partícipes da construção do socialismo do século XXI” e sua cúpula se homogeneizou depois de 2003.
Por outro lado, o chavismo tem a maioria na Assembléia Nacional e por essa via não poderia ser destituído. Mas tampouco, a pesar de suas evidentes divisões internas, existe dentro da chamada “burguesia de direita pro-imperialista” um setor importante disposto a apoiar uma ação golpista. Nem o próprio imperialismo tem essa política. Ao contrário. Pressiona para que o governo aprofunde o máximo possível o arrocho que já vem praticando (desvalorização, redução do gasto público, baixos salários etc.), para que se desgaste e possa ser derrotado por uma “petição de revogação do mandato” ou nas eleições de 2015 para deputados, previamente às eleições presidenciais.
Se houvesse alguma possibilidade de golpe, a UST estaria na primeira fileira, enfrentando-o e exigindo do governo o confisco dos recursos das empresas imperialistas petroleiras,  medicinais e alimentícias, bancos, bem como todas as empresas da burguesia golpista. E estaríamos exigindo armamento para o povo.
Por que as manifestações foram tão massivas?
As marchas e manifestações convocadas pelos partidos da MUD foram importantes. Mas na verdade esses dirigentes se apóiam em um grande descontentamento que existe  em todo o país entre os trabalhadores, a juventude e setores populares. Esse descontentamento se assenta na escassez de produtos de primeira necessidade e as longas filas para conseguir qualquer produto, a altíssima inflação, os baixos salários, a desvalorização encoberta, a destruição das indústrias básicas por falta de investimento, a repressão contra as lutas e um largo etc. O povo trabalhador está assistindo à aplicação de um pacote de arrocho em “cotas” que a direita vinha exigindo e que Nicolás Maduro está aplicando. Por isso vivemos  cada vez  pior.
Mas alguns estão bem
Essa situação não prejudica a todos. O sistema financeiro e bancário, segundo informes oficiais, ganhou 33 bilhões de dólares, os importadores venderam até ficar sem estoques, a “preços justos”. A corrupção permite que alguns ricos fiquem mais ricos ainda e que empresas de fachada fizessem a  festa ao reter para si os mais de 20 bilhões de dólares que a Cadivi “alegremente” lhes concedeu e que até hoje nada se saiba dessa estafa monumental, pese a que os organismos oficiais tenham uma minuciosa lista com os nomes dessas empresas e seus responsáveis. As multinacionais das empresas mistas ficam, cada dia mais, com as melhores zonas gasíferas e petrolíferas (como a Repsol e a Chevrón, entre outras)
Vem mais arrocho contra o povo
Enquanto isso, a PDVSA e o Estado nacional se endividam cada vez mais. A dívida externa, segundo o Banco Central, é de 104 bilhões de dólares. Este ano o Estado e a PDVSA terão de pagar 11 bilhões de dólares. De onde vai sair esse dinheiro? O governo já está ensaiando uma “saída”. Avisou que haverá aumento da gasolina, ainda que “sem pressa” e aumento do dos serviços públicos. Mas, como isto não vai ser suficiente, vão lançar mão de seu “melhor argumento” que é o bloqueio dos contratos coletivos por anos…
E o socialismo do século XXI?
Há anos o oficialismo vem dizendo que todas as medidas tomadas vão em “direção ao socialismo”. Todos os sacrifícios pedidos aos trabalhadores foram feitos em nome das “futuras gerações e das conquistas  da revolução”. No entanto, a realidade desmente um a um os discursos: os que se beneficiam com lucros imensos são as multinacionais, empresas mistas e de alimentos, os bancos e financeiras, as empresas de fachada que embolsam dólares baratos para a especulação e a grande burocracia estatal corrupta. Por isso, Maduro não teve vergonha em admitir que suas políticas contra "a especulação e a corrupção"salvaguardaram "as regras do real e verdadeiro jogo capitalista". Disse: "Eu sei o que estou fazendo. Para aqueles que me subestimam, seja da ultra-esquerda, seja da ultra-direita, eu digo que sei o que estou fazendo” (El Universal 17-1-2014). E esta é a pura verdade.
Nem com o governo, nem com a MUD e seus dirigentes
Os trabalhadores e os setores populares devem enfrentar esse arrocho que o governo está aplicando. Para isso, devemos nos organizar e lutar. Não podemos permitir que os trabalhadores sejam aqueles que paguem a festa do dólar barato para os especuladores. Não devemos aceitar ser aqueles que paguem a dívida externa e as regalias das petroleiras multinacionais com salários de miséria, sem saúde, educação e produtos de primeira necessidade.
Não podemos cair no conto de que os partidos e dirigentes da MUD são uma saída e que por isso devemos participar de suas mobilizações. Nada disso! Eles não estão contra a desvalorização, pelo contrário, há muito exigiam essa medida. Não estão contra os baixos salários. É o que quer a Fedecamaras e toda a patronal! Eles estão contra os sindicatos independentes e a favor das multinacionais petroleiras, dos importadores e dos negócios bancários e financeiros. Sua luta é para ficar com esses negócios, hoje dominados pelo PSUV e o oficialismo.
É totalmente equivocado o apoio que dirigentes sindicais e estudantis brindam a essas mobilizações da MUD. O mesmo em relação aos dirigentes e centrais que atrelam os trabalhadores aos diferentes projetos patronais. Os trabalhadores devem lutar por uma saída independente do governo e da direita.
Um programa operário e popular
Para ter uma saída independente, a classe operária e os setores populares precisam de um programa para o país, que inclua aumento geral de salários de acordo com a cesta básica e ajustável periodicamente ao índice de inflação. Pela nacionalização de todo o petróleo e o fim das empresas mistas. Renda petroleira para a educação, saúde e moradia. Prisão para os corruptos. Comissão investigadora independente contra a corrupção e contra a repressão às manifestações. Plenos direitos democráticos para expressar-se.  Reconhecimento de fato de todos os sindicatos eleitos pelos trabalhadores. Controle operário e popular de toda a economia.
Unidade para lutar!
A cumplicidade de alguns dirigentes sindicais com o governo e a covardia de outros que não querem organizar nenhuma luta e outros que vão atrás de projetos patronais nos mantêm divididos, e de fato deixam os trabalhadores e setores populares a mercê da demagogia da MUD e seus partidos. Os trabalhadores precisam de unidade para lutar. Os sidoristas deram seu exemplo unitário. Os petroleiros de Anzoátegui, com unidade, liberaram seus presos.
Alguns dirigentes vêm se reunindo para denunciar a atual situação trabalhista diante da OIT. E também fizeram algumas declarações. Essas denúncias e declarações da Unidade Sindical (composta entre outros pela FADESS, UNETE, CCURA entre outras) são importantes mas insuficientes. Essas correntes devem fazer uma ampla convocatória a todos os setores sindicais e políticos que estejam dispostos a debater e concretizar um programa operário e popular de defesa de todos os direitos democráticos e que dê resposta aos problemas mais sentidos e proponha um plano para lutar de forma independente por esse programa. Nós, da UST, alentamos e seremos parte dessa convocatória.
Por outro lado, continuaremos lutando pela independência política dos trabalhadores e pela construção de uma ferramenta política independente e democrática que se proponha lutar por um governo da classe operária e setores populares para que nunca mais os trabalhadores tenham de optar entre as diversas opções patronais.
Tradução: Cecília Toledo

Venezuela: Os trabalhadores não devem pagar pela crise!












Leo Arantes

Desde antes das eleições municipais de 8 de dezembro, altos funcionários governamentais deixaram entrever um possível aumento no preço da gasolina. Os resultados eleitorais possibilitaram ao governo afirmar a “pertinência” e “necessidade” desse ajuste, porque  “é a gasolina mais barata do mundo”, “há dezessete anos não há um ajuste no preço”, “o subsidio estatal para manter o atual preço representa 12.600 milhões de dólares”, entre outras alegações.

Até os analistas políticos do chavismo e os burocratas sindicais, como Wills Rangel, presidente da Federação Petroleira e da Central Socialista Bolivariana de Trabalhadores, e a Fedecamaras (federação patronal) e a MUD (frente de oposição política de direita), apóiam o aumento.

Mas também companheiros trabalhadores e ativistas honestos aprovam o possível aumento; com estes últimos queremos abrir um debate sobre as verdadeiras razões do aumento, a quem beneficia e a quem prejudica e suas conseqüências; um debate distinto ao que propõem Maduro e seu governo.

Eles provocam a crise e querem que nós a paguemos!

Os argumentos do governo são uma grande mentira ao tratar de ocultar as verdadeiras razões do pretendido aumento. Há um acordo geral entre a patronal opositora e chavista e o governo para jogar a crise econômica sobre os ombros dos trabalhadores e do povo pobre.

Uma inflação de 56,2% no final de 2013 e a escassez de produtos básicos consomem os salários e atormentam a vida do povo trabalhador; enquanto isso, o governo não pára de entregar dólares ao parasitário e especulador empresariado venezuelano, às transnacionais, ao imperialismo, por meio das empresas mistas e os pagamentos da dívida externa.

Essa é a razão para querer aumentar o preço da gasolina: as receitas petroleiras, que atingem os 97% dos dólares que entram no país, não estão gerando o “suficiente” e o governo, então, pretende meter a mão nos bolsos dos trabalhadores para cobrir o tal “déficit”. Alega que no ano passado foram destinados 33.000 milhões de dólares a importadores privados, e que ao menos 20.000 milhões destes foram destinados às empresas que não importam nada e se dedicam à especulação, esgotando as reservas do Estado venezuelano. 18.000 milhões de dólares foram destinados a amortizar a dívida externa. As transnacionais e as empresas mistas ganham fortunas e o governo deixa de cobrar como imposto - devido aos tratados de 1999 contra a dupla tributação - 17.875 milhões de dólares anuais, todos estes muito superiores ao subsidio que se paga para manter o atual preço da gasolina, e que não são questionados nem por aliados do governo nem por opositores da direita.

Resumindo, é para manter a festa especulativa de adquirir dólares baratos para importar, fazer bons negócios com eles no mercado paralelo ou importar mercadorias com dólar oficial e vender no mercado interno a preços elevadíssimos, que governo e oposição têm acordo em ajustar o preço do combustível, colocando a MUD à disposição do governo, seus recursos técnicos e políticos, e propondo ainda que a medida deve ser acompanhada de uma desvalorização da moeda e uma redução do volume de vendas de petróleo a Cuba y por meio da Petrocaribe.

A quem beneficia o aumento?

Está claro que os grandes beneficiários dessa medida serão os empresários chavistas e opositores, da Fedeindústria (federação da indústria, de tendência chavista), Fedecamaras (MUD), os banqueiros e as transnacionais. Esse setor aumentará seus custos devido a transportes e fretes, mas terá sempre a possibilidade de transferir esse aumento para os preços das mercadorias e os serviços que oferecem, elevando assim os níveis de inflação. O governo,  pese a negativa de Maduro, porá em prática a medida na tentativa de cobrir o déficit fiscal gerado pelos múltiplos compromissos adquiridos com os setores patronais.

Outra realidade é a nossa, trabalhadores, que teremos que suportar o possível aumento do preço do transporte e com ele da inflação, que continuará deteriorando nossos já pífios salários, além de suportar a escassez, que não se soluciona.

É necessária uma saída da classe trabalhadora

Como fazem todos os governos patronais e anti-operários, Maduro prefere meter as mãos nos bolsos dos trabalhadores, aumentando o preço da gasolina e jogando nas nossas costas o peso da crise. O que deveria fazer é justamente o contrário: perseguir os empresários e banqueiros, especuladores, e obrigá-los a responder pelos dólares que roubaram do Estado, deixar de pagar a dívida externa, acabar com os convênios de empresas mistas, principalmente no negócio petroleiro, expulsando as transnacionais, e romper com os tratados contra a dupla tributação.

Além de repudiar esse aumento do preço da gasolina, que em nada vai nos beneficar, nós trabalhadores precisamos construir a unidade para lutar, com assembléias democráticas nos centros de trabalho, para chegar até um grande encontro nacional de trabalhadores, unificado e autônomo, para defender nossos direitos.


Um acordo para aumentar os preços

Julián Miranda

Passaram as eleições de dezembro nas quais o chavismo saiu vitorioso. Segundo nossa opinião, o resultado somente dá um pouco de oxigênio ao governo. Mas, para quê ele vai utilizar este oxigênio? Para iniciar de verdade uma guerra contra os parasitas capitalistas e especuladores? Para atacar realmente a inflação gerada pela de ganância dos capitalistas? Dará um imediato aumento salarial que permita cobrir o custo da cesta básica, incrementada por uma inflação de 56,2%? Chamará o presidente Maduro os trabalhadores e setores populares a mobilizarem-se e ocupar as fábricas e depósitos de aproveitadores e parasitas?

Seguramente muitos companheiros que votaram no PSUV ou nos outros candidatos do Grande Pólo Patriótico (aliança do chavismo com outros partidos), o fizeram pensando que algumas dessas medidas seriam tomadas depois do 8 de dezembro. Mas não será assim.

O pomposo anúncio do presidente Maduro de aumento de 10% no salário mínimo não cobre o que já foi consumido pela inflação desde 2012. Os abraços e apertos de mão com os políticos da oposição indicam que o governo vai pelo caminho contrário. Se a oposição burguesa se entusiasma com o “diálogo”, nós, trabalhadores devemos nos preocupar.

O governo vai aplicar o programa da “direita”

Os porta-vozes da burguesia e do imperialismo vêm pressionando para que o governo ajuste tarifas de serviços e a gasolina, faça uma desvalorização e reduza os gastos do Estado. Com este conjunto de medidas, os empresários e parasitas teriam melhores condições de cobrar a enorme dívida externa, reduziriam ainda mais os salários cobrados em Bolívar e com isso restaria uma porção maior da grande renda petrolífera para a elite, à custa da miséria dos trabalhadores e dos ataques à soberania do país.

Segundo estes “porta-vozes” (o Bank of América e o Barclays, entre outros) o governo deixaria o dólar a 6,30 bs para importar alimentos e medicamentos. E poderia desvalorizar, em uma primeira parcela, o dólar oficial até 11 bs. O que se vende em leilões a 18bs. Será um golpe brutal ao nível de vida dos trabalhadores e a cesta básica ficará ainda mais distante de nossos bolsos. Eles calculam a inflação próxima em mais de 50%.

Por outro lado, o governo Maduro já aceitou aumentar o preço da gasolina e demais combustíveis. O que se discute é qual é o melhor momento para fazê-lo. Todos sabemos como esse aumento influi nos preços. E quem pagará as consequências? O povo, claro.

Mas para os banqueiros imperialistas, isto não seria suficiente. Teriam de reduzir ainda mais os gastos do Estado. O que acontecerá com as empresas básicas e as de cimento, por exemplo, que já quase não produzem por falta de investimento. Maduro disse que quer que dêem lucro. Se o Estado não investe em manutenção e novas máquinas, o lucro obtido será às custas da super-exploração de seus trabalhadores. E com a saúde e educação, o que acontecerá? Hoje a situação dos hospitais e seus trabalhadores já é calamitosa, sem falar das escolas e universidades. Por isso crescem as clínicas e escolas privadas.

Os patrões e o imperialismo querem mais

Maduro acha que “não há pressa” em aplicar o ajuste. Por isso os empresários pressionam ainda mais. Mas também pressionam contra as conquistas dos trabalhadores: acabar com a estabilidade trabalhista e ter liberdade para contratar e despedir a seu bel-prazer. Montaram uma “campanha” contra o “absentismo” e “a baixa produtividade” dos trabalhadores, com a qual o governo faz eco. Já muitas inspetorias se colocaram a serviço incondicional dos empresários, permitindo a aprovação de demissões de dirigentes com estabilidade, como no caso de Iván Freites, da Federação dos Petroleiros. Também houve casos em Sucre e outros estados. Abriram processos judiciais contra os dirigentes da Sidor, a siderúrgica estatal, somando-os assim a vários milhares nessa condição.

Também houve assassinatos e atentados contra dirigentes indígenas e camponeses que permanecem em total impunidade. Eles atacam por todos os lados...

Unidade dos trabalhadores para enfrentar o ajuste

A vergonhosa atitude de muitos dirigentes sindicais, como Wills Rangel, apoiando o aumento do preço da gasolina, e outros que se calam frente a uma inflação que consome nossos salários, deve ser repudiada pelos trabalhadores. Rangel, como dirigente dos petroleiros, está negociando o contrato com um miserável aumento salarial para os próximos anos.

Nós, trabalhadores, devemos nos unir para defender nossas conquistas e lutar por um aumento salarial de emergência que cubra a inflação; também devemos repudiar as pretensões dos empresários e do governo de submeter-nos a um ajuste. É preciso exigir que as centrais sindicais saiam de sua inércia para fazer um plano de luta. Por outro lado, precisamos fazer um encontro nacional de todos os que estão dispostos a debater um programa dos trabalhadores para sair dessa situação.

Nós, trabalhadores, não somos os responsáveis pela festa especulativa com os dólares do governo com a qual os parasitas roubam milhões para suas contas no exterior. Não somos culpados pela fuga de dólares que as multinacionais levam para o exterior, “sugando” nosso petróleo e outros recursos naturais. Não devemos pagar os custos dessa festa.

Devemos debater uma série de medidas urgentes, como um aumento geral de salários, a suspensão do pagamento da dívida externa, a investigação de todos os leilões e entrega de dólares a todos os empresários e as empresas especuladoras, formando uma comissão investigativa com a participação dos organismos operários e populares, a nacionalização de toda a indústria petroleira e o urgente investimento em manutenção e tecnologia, com controle efetivo dos trabalhadores, também nas indústrias básicas, nacionalização do comercio exterior (importação e exportação nas mãos do Estado), controle operário contra os boicotes da patronal, que seguram os produtos para aumentar os preços. Com nossa mobilização, poderemos impulsionar esse programa de luta.
 
Tradução: Jéssica Augusti
ImprimirE-mail
Escrito por Leo Arantes e Julián Miranda   
Sex, 07 de Fevereiro de 2014 00:17
Os trabalhadores não devem pagar pela crise!

Leo Arantes

Desde antes das eleições municipais de 8 de dezembro, altos funcionários governamentais deixaram entrever um possível aumento no preço da gasolina. Os resultados eleitorais possibilitaram ao governo afirmar a “pertinência” e “necessidade” desse ajuste, porque  “é a gasolina mais barata do mundo”, “há dezessete anos não há um ajuste no preço”, “o subsidio estatal para manter o atual preço representa 12.600 milhões de dólares”, entre outras alegações.

Até os analistas políticos do chavismo e os burocratas sindicais, como Wills Rangel, presidente da Federação Petroleira e da Central Socialista Bolivariana de Trabalhadores, e a Fedecamaras (federação patronal) e a MUD (frente de oposição política de direita), apóiam o aumento.

Mas também companheiros trabalhadores e ativistas honestos aprovam o possível aumento; com estes últimos queremos abrir um debate sobre as verdadeiras razões do aumento, a quem beneficia e a quem prejudica e suas conseqüências; um debate distinto ao que propõem Maduro e seu governo.

Eles provocam a crise e querem que nós a paguemos!

Os argumentos do governo são uma grande mentira ao tratar de ocultar as verdadeiras razões do pretendido aumento. Há um acordo geral entre a patronal opositora e chavista e o governo para jogar a crise econômica sobre os ombros dos trabalhadores e do povo pobre.

Uma inflação de 56,2% no final de 2013 e a escassez de produtos básicos consomem os salários e atormentam a vida do povo trabalhador; enquanto isso, o governo não pára de entregar dólares ao parasitário e especulador empresariado venezuelano, às transnacionais, ao imperialismo, por meio das empresas mistas e os pagamentos da dívida externa.

Essa é a razão para querer aumentar o preço da gasolina: as receitas petroleiras, que atingem os 97% dos dólares que entram no país, não estão gerando o “suficiente” e o governo, então, pretende meter a mão nos bolsos dos trabalhadores para cobrir o tal “déficit”. Alega que no ano passado foram destinados 33.000 milhões de dólares a importadores privados, e que ao menos 20.000 milhões destes foram destinados às empresas que não importam nada e se dedicam à especulação, esgotando as reservas do Estado venezuelano. 18.000 milhões de dólares foram destinados a amortizar a dívida externa. As transnacionais e as empresas mistas ganham fortunas e o governo deixa de cobrar como imposto - devido aos tratados de 1999 contra a dupla tributação - 17.875 milhões de dólares anuais, todos estes muito superiores ao subsidio que se paga para manter o atual preço da gasolina, e que não são questionados nem por aliados do governo nem por opositores da direita.

Resumindo, é para manter a festa especulativa de adquirir dólares baratos para importar, fazer bons negócios com eles no mercado paralelo ou importar mercadorias com dólar oficial e vender no mercado interno a preços elevadíssimos, que governo e oposição têm acordo em ajustar o preço do combustível, colocando a MUD à disposição do governo, seus recursos técnicos e políticos, e propondo ainda que a medida deve ser acompanhada de uma desvalorização da moeda e uma redução do volume de vendas de petróleo a Cuba y por meio da Petrocaribe.

A quem beneficia o aumento?

Está claro que os grandes beneficiários dessa medida serão os empresários chavistas e opositores, da Fedeindústria (federação da indústria, de tendência chavista), Fedecamaras (MUD), os banqueiros e as transnacionais. Esse setor aumentará seus custos devido a transportes e fretes, mas terá sempre a possibilidade de transferir esse aumento para os preços das mercadorias e os serviços que oferecem, elevando assim os níveis de inflação. O governo,  pese a negativa de Maduro, porá em prática a medida na tentativa de cobrir o déficit fiscal gerado pelos múltiplos compromissos adquiridos com os setores patronais.

Outra realidade é a nossa, trabalhadores, que teremos que suportar o possível aumento do preço do transporte e com ele da inflação, que continuará deteriorando nossos já pífios salários, além de suportar a escassez, que não se soluciona.

É necessária uma saída da classe trabalhadora

Como fazem todos os governos patronais e anti-operários, Maduro prefere meter as mãos nos bolsos dos trabalhadores, aumentando o preço da gasolina e jogando nas nossas costas o peso da crise. O que deveria fazer é justamente o contrário: perseguir os empresários e banqueiros, especuladores, e obrigá-los a responder pelos dólares que roubaram do Estado, deixar de pagar a dívida externa, acabar com os convênios de empresas mistas, principalmente no negócio petroleiro, expulsando as transnacionais, e romper com os tratados contra a dupla tributação.

Além de repudiar esse aumento do preço da gasolina, que em nada vai nos beneficar, nós trabalhadores precisamos construir a unidade para lutar, com assembléias democráticas nos centros de trabalho, para chegar até um grande encontro nacional de trabalhadores, unificado e autônomo, para defender nossos direitos.


Um acordo para aumentar os preços

Julián Miranda

Passaram as eleições de dezembro nas quais o chavismo saiu vitorioso. Segundo nossa opinião, o resultado somente dá um pouco de oxigênio ao governo. Mas, para quê ele vai utilizar este oxigênio? Para iniciar de verdade uma guerra contra os parasitas capitalistas e especuladores? Para atacar realmente a inflação gerada pela de ganância dos capitalistas? Dará um imediato aumento salarial que permita cobrir o custo da cesta básica, incrementada por uma inflação de 56,2%? Chamará o presidente Maduro os trabalhadores e setores populares a mobilizarem-se e ocupar as fábricas e depósitos de aproveitadores e parasitas?

Seguramente muitos companheiros que votaram no PSUV ou nos outros candidatos do Grande Pólo Patriótico (aliança do chavismo com outros partidos), o fizeram pensando que algumas dessas medidas seriam tomadas depois do 8 de dezembro. Mas não será assim.

O pomposo anúncio do presidente Maduro de aumento de 10% no salário mínimo não cobre o que já foi consumido pela inflação desde 2012. Os abraços e apertos de mão com os políticos da oposição indicam que o governo vai pelo caminho contrário. Se a oposição burguesa se entusiasma com o “diálogo”, nós, trabalhadores devemos nos preocupar.

O governo vai aplicar o programa da “direita”

Os porta-vozes da burguesia e do imperialismo vêm pressionando para que o governo ajuste tarifas de serviços e a gasolina, faça uma desvalorização e reduza os gastos do Estado. Com este conjunto de medidas, os empresários e parasitas teriam melhores condições de cobrar a enorme dívida externa, reduziriam ainda mais os salários cobrados em Bolívar e com isso restaria uma porção maior da grande renda petrolífera para a elite, à custa da miséria dos trabalhadores e dos ataques à soberania do país.

Segundo estes “porta-vozes” (o Bank of América e o Barclays, entre outros) o governo deixaria o dólar a 6,30 bs para importar alimentos e medicamentos. E poderia desvalorizar, em uma primeira parcela, o dólar oficial até 11 bs. O que se vende em leilões a 18bs. Será um golpe brutal ao nível de vida dos trabalhadores e a cesta básica ficará ainda mais distante de nossos bolsos. Eles calculam a inflação próxima em mais de 50%.

Por outro lado, o governo Maduro já aceitou aumentar o preço da gasolina e demais combustíveis. O que se discute é qual é o melhor momento para fazê-lo. Todos sabemos como esse aumento influi nos preços. E quem pagará as consequências? O povo, claro.

Mas para os banqueiros imperialistas, isto não seria suficiente. Teriam de reduzir ainda mais os gastos do Estado. O que acontecerá com as empresas básicas e as de cimento, por exemplo, que já quase não produzem por falta de investimento. Maduro disse que quer que dêem lucro. Se o Estado não investe em manutenção e novas máquinas, o lucro obtido será às custas da super-exploração de seus trabalhadores. E com a saúde e educação, o que acontecerá? Hoje a situação dos hospitais e seus trabalhadores já é calamitosa, sem falar das escolas e universidades. Por isso crescem as clínicas e escolas privadas.

Os patrões e o imperialismo querem mais

Maduro acha que “não há pressa” em aplicar o ajuste. Por isso os empresários pressionam ainda mais. Mas também pressionam contra as conquistas dos trabalhadores: acabar com a estabilidade trabalhista e ter liberdade para contratar e despedir a seu bel-prazer. Montaram uma “campanha” contra o “absentismo” e “a baixa produtividade” dos trabalhadores, com a qual o governo faz eco. Já muitas inspetorias se colocaram a serviço incondicional dos empresários, permitindo a aprovação de demissões de dirigentes com estabilidade, como no caso de Iván Freites, da Federação dos Petroleiros. Também houve casos em Sucre e outros estados. Abriram processos judiciais contra os dirigentes da Sidor, a siderúrgica estatal, somando-os assim a vários milhares nessa condição.

Também houve assassinatos e atentados contra dirigentes indígenas e camponeses que permanecem em total impunidade. Eles atacam por todos os lados...

Unidade dos trabalhadores para enfrentar o ajuste

A vergonhosa atitude de muitos dirigentes sindicais, como Wills Rangel, apoiando o aumento do preço da gasolina, e outros que se calam frente a uma inflação que consome nossos salários, deve ser repudiada pelos trabalhadores. Rangel, como dirigente dos petroleiros, está negociando o contrato com um miserável aumento salarial para os próximos anos.

Nós, trabalhadores, devemos nos unir para defender nossas conquistas e lutar por um aumento salarial de emergência que cubra a inflação; também devemos repudiar as pretensões dos empresários e do governo de submeter-nos a um ajuste. É preciso exigir que as centrais sindicais saiam de sua inércia para fazer um plano de luta. Por outro lado, precisamos fazer um encontro nacional de todos os que estão dispostos a debater um programa dos trabalhadores para sair dessa situação.

Nós, trabalhadores, não somos os responsáveis pela festa especulativa com os dólares do governo com a qual os parasitas roubam milhões para suas contas no exterior. Não somos culpados pela fuga de dólares que as multinacionais levam para o exterior, “sugando” nosso petróleo e outros recursos naturais. Não devemos pagar os custos dessa festa.

Devemos debater uma série de medidas urgentes, como um aumento geral de salários, a suspensão do pagamento da dívida externa, a investigação de todos os leilões e entrega de dólares a todos os empresários e as empresas especuladoras, formando uma comissão investigativa com a participação dos organismos operários e populares, a nacionalização de toda a indústria petroleira e o urgente investimento em manutenção e tecnologia, com controle efetivo dos trabalhadores, também nas indústrias básicas, nacionalização do comercio exterior (importação e exportação nas mãos do Estado), controle operário contra os boicotes da patronal, que seguram os produtos para aumentar os preços. Com nossa mobilização, poderemos impulsionar esse programa de luta.
 
Tradução: Jéssica Augusti